Brasília, 21 de maio de 2026
O xadrez político do Distrito Federal sofreu o seu abalo mais sísmico desde a desincompatibilização que alçou Celina Leão (PP) ao comando do Palácio do Buriti. A divulgação de um vídeo gravado na residência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) explicitou publicamente o desgaste na base governista, abrindo uma crise que envolve a cúpula nacional do partido e redefine as estratégias eleitorais para o pleito deste ano.
Ao lado do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do deputado federal Rafael Prudente e do presidente da CLDF, Wellington Luiz, Ibaneis evitou falar em "rompimento definitivo", mas cunhou um termo que ligou o alerta no cenário político local: "realinhamento de posições". O ex-governador justificou o movimento alegando ter colecionado "muitas decepções" nos últimos dias em relação à gestão de sua sucessora.
O Peso Nacional e os Bastidores da Crise
A presença física de Baleia Rossi no vídeo não foi um mero detalhe de cortesia. O cacique emedebista selou o tom do recado ao afirmar categoricamente que "não há hipótese do MDB não participar da chapa majoritária", sinalizando que o partido cogita lançar candidatura própria ao Governo do Distrito Federal (GDF), com o nome de Rafael Prudente ganhando força nos bastidores, ou exigir a cabeça da chapa ao Senado, vaga que o próprio Ibaneis pleiteia.
Analistas políticos começam a ventilar os fatores que precipitaram essa forte reação. Embora o MDB e o governo federal operem em esferas nacionais distintas, interlocutores sugerem que o distanciamento se aprofundou por dois motivos centrais:
Identidade Própria: A tentativa de Celina Leão de imprimir uma marca pessoal e independente à gestão, promovendo mudanças em postos-chave que antes eram controlados pela ala ibaneista.
O Fator BRB e Banco Master: O avanço das investigações e discussões sobre a operação financeira envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master fez com que a governadora buscasse um claro distanciamento institucional para blindar o atual governo. A estratégia de autopreservação da chefe do Executivo gerou forte incômodo no núcleo político de Ibaneis, que viu o gesto como falta de solidariedade política.
A Resposta de Celina: Sucessão Nunca Será Submissão
Conhecida por sua trajetória de quatro mandatos marcada por intensa articulação e perfil de enfrentamento quando confrontada, a governadora Celina Leão não silenciou diante do ultimato. Em uma resposta rápida e dura, condizente com seu histórico de forte liderança, a chefe do Executivo local gravou um pronunciamento que devolveu o peso da crise ao colo dos emedebistas.
"As pessoas precisam entender que sucessão nunca será submissão", disparou a governadora.
Celina subiu o tom ao expor o cenário administrativo que encontrou ao assumir o cargo de forma definitiva, pontuando que herdou uma "grave crise no BRB" e um "rombo bilionário nas contas públicas". Ao afirmar que está tomando decisões técnicas que "desagradam a muita gente" para salvar a saúde financeira do DF, Celina se posicionou não como uma vice tutelada, mas como uma gestora independente e disposta a arcar com os custos políticos de suas escolhas.
O cenário para 2026
O movimento antecipa de forma agressiva o debate eleitoral de outubro. Se antes a reeleição de Celina Leão com o apoio irrestrito de Ibaneis ao Senado parecia um caminho natural, hoje o grupo governista racha ao meio. Celina mantém em sua órbita o PP, o Republicanos e a influência direta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Do outro lado, o MDB demonstra que tem tamanho, capilaridade e respaldo nacional para impor suas próprias condições de jogo, mesmo que isso signifique marchar em raias separadas.
O "divórcio político" está desenhado no horizonte do Distrito Federal, e os próximos dias na Câmara Legislativa ditarão a temperatura da governabilidade de Celina diante de um bloco liderado pelo emedebista Wellington Luiz.
Da Redação do Portal Lei e Política
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