A proposta de Monumental é ampliar a percepção sobre uma paisagem presente na rotina de moradores, trabalhadores e visitantes do Plano Piloto. Para Carlos Henrique, o Eixo Monumental deve ser observado tanto pelo caráter simbólico dos edifícios quanto pelas formas de uso público que se consolidaram no território. “É um lugar que tem aspecto monumental e simbólico, mas também permite diferentes formas de ocupação e apropriação. O livro é um convite para pensar adiante, para pensar o futuro do Eixo Monumental mantendo esse caráter de lugar popular, que permite ocupações variadas”, afirma.
A pesquisa também chama atenção para camadas menos visíveis da construção dos edifícios monumentais. Além de arquitetos e engenheiros, a obra destaca o papel dos trabalhadores que atuaram nos canteiros e ajudaram a transformar desenhos, cálculos e projetos em concreto, mármore, vidro e cidade. “A pergunta inicial era como houve, naquele momento, uma confluência de trabalhadores, operários, arquitetos e engenheiros para fazer tanta obra em tão pouco tempo e com tanta perícia. No detalhamento, na execução das formas e na execução do concreto, tudo isso importa para a realização da obra”, observa Carlos Henrique.
O autor faz pesquisas no Arquivo Público do DF desde a graduação, no início dos anos 2000. Ao longo da investigação para o livro, encontrou documentos, imagens e registros que ajudaram a estruturar a obra. Para ele, a instituição é essencial para a produção de conhecimento sobre Brasília. “Hoje é uma instituição que se modernizou consideravelmente e permite o acesso de forma muito mais facilitada. A equipe do Arquivo Público do Distrito Federal foi fundamental para a pesquisa. É uma instituição muito importante para a história do Brasil”, destaca.
O apoio do FAC também ampliou o alcance do projeto. Segundo Carlos Henrique, o fundo foi decisivo não apenas pelo financiamento, mas pelo formato dos editais, que estimulam a circulação da produção cultural, a descentralização das ações e o diálogo com diferentes públicos. “O FAC tem importância enorme aqui em Brasília. Não é só o patrocínio em si, embora os recursos sejam fundamentais. O formato do edital também estimula a pensar em outros produtos, com repercussão maior e alcance de públicos que muitas vezes são deixados de lado”, afirma.
Como contrapartida do projeto, Monumental terá exemplares em braile destinados a bibliotecas de Brasília voltadas a esse público. A iniciativa soma-se às versões em português e inglês da publicação, concebida para alcançar leitores interessados em arquitetura, história, fotografia, patrimônio e cidade.
“Hoje é uma instituição que se modernizou consideravelmente e permite o acesso de forma muito mais facilitada. A equipe do Arquivo Público do Distrito Federal foi fundamental para a pesquisa. É uma instituição muito importante para a história do Brasil”
Carlos Henrique Magalhães de Lima, autor do livro Monumental
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