Coordenador da Linha de Cuidado do Trauma do Hospital Anchieta alerta para alta de acidentes envolvendo motociclistas jovens e consequências permanentes das colisões
Acidentes de trânsito continuam provocando internações graves, sequelas permanentes e mortes que poderiam ser evitadas. Durante o Maio Amarelo, campanha voltada à conscientização para segurança viária, médicos chamam atenção para comportamentos de risco que seguem entre as principais causas de atendimentos por trauma nas emergências hospitalares.
No Hospital Anchieta Taguatinga, referência em trauma no Distrito Federal, motociclistas jovens representam grande parte das vítimas atendidas diariamente pelas equipes de emergência. Fraturas, traumatismos cranianos, lesões na coluna e hemorragias internas estão entre os casos mais frequentes.
“Quando eu digo que o trauma é uma doença 100% evitável, é justamente para tirar da cabeça das pessoas aquela ideia de azar ou destino. Na maioria das vezes existe uma decisão errada antes do acidente, como excesso de velocidade, álcool, celular ao volante ou falta de equipamentos de segurança”, afirma o coordenador da Linha de Cuidado do Trauma do Hospital Anchieta, Rodrigo Caselli Belém.
Lesões graves e impactos permanentes
Segundo o médico, os casos mais graves costumam envolver homens entre 18 e 40 anos, principalmente motociclistas. Além do impacto físico imediato, muitos pacientes passam a conviver com sequelas permanentes, dificuldades para voltar ao trabalho e mudanças profundas na rotina familiar após o trauma. As lesões na cabeça e na coluna estão entre as que mais preocupam as equipes médicas por causa do alto risco de morte e incapacidade permanente.
Nesse cenário, o uso correto do capacete, do cinto de segurança e da cadeirinha infantil continua sendo determinante no desfecho das vítimas atendidas na emergência. A combinação entre velocidade, álcool e distração ao volante, principalmente pelo uso do celular durante a direção, também está entre os fatores mais associados aos casos graves atendidos pelas equipes de trauma.
“A gente vê isso todos os dias. Um capacete bem afivelado ou o uso do cinto pode transformar uma tragédia em um acidente com possibilidade de recuperação. Já o celular tira a atenção por segundos que, em alta velocidade, significam dezenas de metros percorridos sem olhar para frente. É como dirigir de olhos fechados”, afirma o especialista.
Atendimento rápido pode salvar vidas
Além das consequências individuais, os acidentes também geram impacto direto nos serviços de saúde, com aumento da demanda por cirurgias, internações em UTI e atendimentos de alta complexidade ligados ao trauma, principalmente em fins de semana e feriados.
No Hospital Anchieta, o fluxo de atendimento ao trauma foi estruturado para agilizar o atendimento desde a chegada da vítima. As equipes são acionadas ainda durante o deslocamento do resgate, permitindo que médicos, enfermagem, centro cirúrgico e banco de sangue estejam preparados antes mesmo da entrada do paciente na emergência.
A instituição também se tornou o único hospital privado do Distrito Federal com heliponto apto a receber diretamente resgates aeromédicos, conectando-se à atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros e demais forças de segurança.
“Cada minuto faz diferença. Um atendimento organizado aumenta muito as chances de sobrevivência e reduz riscos de sequelas graves. Nenhuma pressa vale a vida. Antes de acelerar, pegar o celular ou dirigir depois de beber, pense que alguém está esperando você em casa”, afirma Rodrigo Caselli Belém.

