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Secretaria de Educação do DF e Polícia Federal promovem palestra sobre segurança nas redes sociais

 


Ação do programa Guardiões da Infância já alcançou 3.500 crianças e adolescentes

Por Andressa Rios, Ascom/SEEDF


Delegado da Polícia Federal Thiago Medeiros concede palestra aos profissionais da educação sobre crimes cibernéticos | Foto: Felipe de Noronha, Ascom/SEEDF. 


A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) recebeu, na última quinta-feira (23), na sede da Pasta, o delegado da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER) da Polícia Federal (PF) Thiago Medeiros, para uma palestra sobre o tema relacionado à violência sexual contra crianças e adolescentes. A ação faz parte do programa Guardiões da Infância, fruto da parceria firmada entre a SEEDF e a PF, que já alcançou 3.500 estudantes e cerca de 1.000 professores da rede pública de ensino. 

Organizado pela Assessoria Especial de Cultura de Paz nas Escolas da SEEDF, o evento lotou o auditório Neusa França com profissionais da educação que buscam capacitação sobre o assunto para estarem cada vez mais preparados para lidar com situações que envolvam bullying, cyberbullying, violência sexual, entre outros crimes cibernéticos ou não. 

Parceria entre a SEEDF e a Polícia Federal do Brasil capacita educadores para prevenir violências e orientar estudantes sobre segurança nas redes sociais, alcançando milhares de jovens no DF.

 

Presente na abertura do evento, a secretária de Educação do DF interina, Iêdes Braga, destacou a importância da formação. “Nós precisamos estar atentos às condições do bullying, que não acontece só nas escolas, acontece em todos os espaços. A gente vive um momento em que o cyberbullying tem sido um grande vilão na vida dos nossos estudantes. Precisamos usar as redes sociais de forma consciente”.

Atenta à movimentação relacionada aos casos de bullying e cyberbullying nas escolas, a chefe da Assessoria Especial de Cultura de Paz, Ana Beatriz Goldstein, reforça a importância de falar sobre o tema principalmente no primeiro semestre. 

O bullying e o cyberbullying são os maiores casos de violência que nós temos dentro do ambiente escolar, especialmente quando se tem o abandono digital, no qual os estudantes ficam muito tempo nas redes sociais. Verificamos também um aumento dessas situações de violência no início do ano, em março e abril. Então intensificamos nossas ações no semestre inteiro com a parceria da Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Batalhão Escolar, Anatel, para trabalhar segurança nas redes”, salientou. 

 


 
A secretária de Educação do Distrito Federal interina, Iêdes Braga, fala sobre a importância de  abordar o tema com a comunidade escolar | Foto: Felipe de Noronha, Ascom/SEEDF.

Acompanhamento e identificação de sinais

 

O abandono digital refere-se a uma forma de negligência dos responsáveis, marcada pela falta de cuidado, proteção e orientação dos filhos no ambiente online. Quando crianças e adolescentes têm acesso livre e excessivo aos conteúdos da internet, sem o devido acompanhamento dos pais nesse universo digital, podem ser expostos a situações de risco e vulnerabilidade.

Portanto, o intuito da palestra concedida pelo delegado da Polícia Federal Thiago Medeiros é capacitar educadores em relação à temática da violência sexual infantojuvenil, perfis e sinais identificadores do abuso, bem como quanto à atuação em âmbito escolar e quais procedimentos a serem adotados no caso de suspeita de abuso sexual (abrangendo tópicos de segurança online e offline).

Segundo dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, a cada 100 mil habitantes, 41,2 já foram vítimas de estupro de vulnerável, e 80% dessas vítimas são menores de 18 anos. Um dos dados mais impressionantes é que 84,7% dessas pessoas foram abusadas por pessoas conhecidas ou familiares. 

Uma das espectadoras da palestra, a servidora da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica (Unigaeb), Natalia Acioly, comentou. “A escola é um lugar onde tudo eclode, inclusive esses problemas sociais, de abuso infantil, tudo aparece dentro da escola, é o primeiro refúgio que a criança tem, depois do seu convívio mais direto com seus familiares, então geralmente ela procura um professor, alguém da escola para tentar ajudá-la a sair dessa situação”.

O delegado Thiago salientou que não há um perfil definido de abusador, pode ser qualquer um. No entanto, ele ressaltou alguns pontos importantes que podem ajudar na identificação de casos. 

Aspectos que favorecem a vitimização de crianças e adolescentes: 

  • Grande quantidade de horas em redes sociais e pouca vigilância dos responsáveis;
  • Crianças carentes emocionalmente (necessidade excessiva de afeto e atenção);
  • Existência de alguma vulnerabilidade prévia (introspecção, deficiências, depressão, etc);
  • Histórico de bullying;
  • Ambiente familiar conflituoso

Sinais identificadores físicos:

  • Dor ou irritação na área anogenital ou alterações clínicas (hematomas, assaduras constantes, corrimentos, sangramento, infecção de repetição, infecções urinárias, etc);
  • Dificuldades em urinar ou evacuar, escapes frequentes (diurnos ou noturnos);
  • Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Gestação.

Sinais identificadores sociais:

  • Mudanças comportamentais radicais, súbitas e incompreensíveis (oscilações de humor, agressividade, medo e/ou pânico);
  • Tendência ao isolamento social, apresentando poucas relações com colegas e companheiros;
  • Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica;
  • Culpa e autolesão;
  • Recusa de estabelecer contato físico;
  • Medo de pessoas ou lugares específicos (casa, escola, etc);
  • Comportamentos infantis repentinos (urinar nas calças, na cama, em público);
  • Silêncio predominante;
  • Dificuldade de concentração e queda de rendimento escolar;
  • Curiosidade sexual, interesse ou conhecimento súbito e não usual para sua idade sobre questões sexuais.

Para os educadores terem melhores condições de identificar e acolher:

  • Observar sempre seus alunos, criando vínculos com eles, principalmente com os “mais problemáticos’ ou com os mais “tímidos”;
  • Manter registros sobre o desempenho/histórico escolar do aluno;
  • Conversar com o (a) aluno (a) quando perceber alterações no comportamento e humor;
  • Demonstrar disponibilidade para conversar e buscar um ambiente acolhedor para a conversa;
  • Ouvir atentamente, sem interromper, e não pressionar para obter informações;
  • Utilizar linguagem acessível à criança/adolescentes;
  • Evitar perguntas desnecessárias. Perguntar somente o necessário para saber o que fazer em seguida;
  • Levar a sério tudo o que ouvir, sem julgar, criticar ou duvidar do que a criança-adolescente diz;
  • Manter-se calmo e tranquilo, sem reações extremadas ou passionais;
  • Expressar apoio, solidariedade e respeito.

 


A equipe da Assessoria Especial da Cultura de Paz nas Escolas organizou o encontro dos servidores com o delegado da Polícia Federal | Foto: Felipe de Noronha, Ascom/SEEDF. 

Da redação do Portal de Notícias Lei e Política, por Carlindo Medeiros Jornalista

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