A rede pública de saúde do Distrito Federal vem intensificando esforços para fortalecer o suporte destinado aos pacientes ostomizados, reconhecendo a relevância de atender às demandas específicas dessa parcela da população. Com a meta de melhorar a qualidade de vida e o acompanhamento clínico, diversas iniciativas foram desenvolvidas para oferecer assistência integral. Entre as principais ações, destacam-se o fornecimento regular de insumos, programas educativos que ajudam na adaptação à nova realidade, e suporte psicossocial para lidar com os desafios emocionais e sociais decorrentes da condição. O objetivo maior é assegurar um cuidado humanizado e eficaz, promovendo a integração de diferentes áreas do sistema de saúde para proporcionar uma abordagem holística e abrangente.
Um exemplo marcante do impacto dessas medidas é a história de Renato Assumpção, um aposentado de 55 anos que sempre mostrou preocupação com sua saúde. Apesar de manter os exames médicos em dia, ele passou a perceber sinais que indicavam que algo não estava certo: praticamente tudo o que comia lhe causava desconforto. Após uma série de exames que não trouxeram respostas conclusivas sobre o problema, o diagnóstico só foi definido quando um gastroenterologista solicitou a realização de uma colonoscopia. Em fevereiro de 2020, o resultado revelou a presença de um câncer no intestino grosso.
A cirurgia necessária aconteceu meses depois, inicialmente com a expectativa de evitar a necessidade permanente da bolsa de colostomia. No entanto, Renato precisou usá-la por mais de um ano aguardando uma reversão que acabou não sendo possível. Isso ocorreu porque o câncer também havia afetado o reto, tornando essencial o uso definitivo da bolsa. Além do impacto inicial da notícia, outros desafios surgiram ao longo do caminho. Ele passou a experimentar situações como prolapsos ao permanecer muito tempo em pé e dificuldades para executar tarefas simples, dependendo constantemente do apoio de sua esposa. Segundo ele, foi um período repleto de estresse e adaptações constantes à nova realidade.
O auxílio prestado pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER) II de Taguatinga desempenhou um papel essencial no processo de adaptação de Renato à nova rotina com a bolsa de colostomia. Ele relata que nos primeiros meses precisou frequentar o centro quinzenalmente para realizar trocas assistidas da bolsa. Posteriormente, com maior autonomia e aprendizado, as visitas passaram a ser mensais. Hoje, ele destaca o cuidado e a atenção dispensados pela equipe multidisciplinar, considerada fundamental para superar as dificuldades iniciais.
Atualmente, o CER II de Taguatinga acompanha cerca de 498 pacientes ostomizados, oferecendo serviços aos moradores das regiões de Taguatinga, Vicente Pires, Águas Claras, Arniqueiras, Recanto das Emas e Samambaia. De acordo com Kênia Cardoso, supervisora do centro, a reabilitação envolve muito mais do que intervenções físicas; trata-se de um processo contínuo que inclui aspectos sociais e emocionais. Ela explica que os atendimentos envolvem atividades como orientações sobre os cuidados com a estomia, ensino sobre como manusear corretamente os dispositivos coletores, prevenção de possíveis complicações e incentivo ao autocuidado.
A unidade dispõe de uma equipe especializada formada por três enfermeiras e duas técnicas de enfermagem dedicadas exclusivamente aos casos de estomia. Nos casos em que são necessárias intervenções mais amplas, outros profissionais podem ser acionados para complementar os cuidados. A admissão dos pacientes pode ocorrer tanto por encaminhamento das unidades públicas ou privadas quanto de forma espontânea, sempre respeitando as necessidades individuais em termos de frequência nas consultas. Além disso, outros 11 ambulatórios gerenciados pela Secretaria de Saúde do DF oferecem suporte semelhante em diferentes regiões do território.
Uma iniciativa recente para complementar os atendimentos é o grupo Multi Boas-Vindas Ostomia. Criado neste mês, o grupo tem como principal finalidade acolher novos pacientes, integrando-os a um espaço onde são discutidos temas importantes como os diferentes tipos de estomias, alterações gastrointestinais comuns (diarreia, constipação e flatulência) e a relevância do acompanhamento nutricional no manejo da condição. As reuniões acontecem mensalmente pela manhã.
Em paralelo às iniciativas voltadas à assistência direta aos pacientes ostomizados, o mês de novembro é marcado por uma data bastante significativa: o Dia Nacional dos Ostomizados, celebrado todo dia 16. Instituído pela Lei nº 11.506/2007, esse marco busca aumentar a conscientização da população sobre a estomia e combater preconceitos enfrentados por quem utiliza bolsas coletoras devido ao procedimento.
A estomia é um processo cirúrgico que consiste na criação de uma abertura em algum órgão para sua comunicação direta com o meio externo, viabilizando funções como respiração, alimentação ou eliminação. Este procedimento é indicado em diversos casos, incluindo malformações congênitas.
Informações da redação do Portal de Notícias