A vacina contra herpes-zóster entrou no radar da demência — e a ciência começa a explicar por quê

 


A vacina contra herpes-zóster, usada para prevenir a reativação do vírus da catapora em forma de “cobreiro”, passou a chamar atenção também em estudos sobre demência. A hipótese é que evitar essa reativação pode reduzir inflamação e agressões ao sistema nervoso, fatores investigados no risco de declínio cognitivo.

Por que essa vacina entrou no radar

O herpes-zóster acontece quando o vírus varicela-zóster, que fica adormecido no organismo após a catapora, volta a se manifestar. Além da dor intensa na pele, o vírus pode afetar nervos e provocar complicações, principalmente em pessoas mais velhas.

Como alguns vírus da família herpes conseguem interagir com o sistema nervoso, pesquisadores passaram a investigar se prevenir a reativação viral poderia ter efeitos além da pele, incluindo possível impacto no risco de demência.

O que diz um estudo científico

Um dos trabalhos que trouxe esse tema para o debate analisou uma situação real de política pública no País de Gales, onde a elegibilidade para vacinação criou um grupo comparável de idosos vacinados e não vacinados.

Segundo o estudo quase experimental A natural experiment on the effect of herpes zoster vaccination on dementia, publicado na Nature, a vacinação contra herpes-zóster foi associada a uma redução relativa de cerca de 20% nos diagnósticos de demência ao longo do acompanhamento.

 

Conversar sobre a vacina ajuda a avaliar proteção contra herpes-zóster e suas complicações.mo a ciência tenta explicar a ligação

A explicação ainda não está fechada, mas há caminhos plausíveis. O vírus varicela-zóster pode causar inflamação nos nervos e, em algumas situações, afetar vasos sanguíneos e estruturas próximas ao cérebro.

Menor chance de reativação do vírus varicela-zóster;

Redução de inflamação ligada a episódios de herpes-zóster;

Possível menor agressão a nervos e vasos;

Estímulo imunológico que ainda está sendo estudado;

Prevenção de complicações dolorosas, como neuralgia pós-herpética.

O que ainda precisa ser confirmado

Apesar dos resultados animadores, a associação não significa que a vacina seja, hoje, um tratamento para prevenir demência. Estudos observacionais ajudam a levantar hipóteses, mas não provam sozinhos que a vacina é a causa direta da redução de risco.

Também é importante lembrar que a demência tem muitas causas e fatores envolvidos, como idade, genética, pressão alta, diabetes, sedentarismo, tabagismo, sono ruim e isolamento social.

Quem deve conversar sobre a vacina

A vacinação contra herpes-zóster já é indicada em vários países para adultos mais velhos e algumas pessoas com imunidade baixa, principalmente para evitar a doença e suas complicações. A decisão deve considerar idade, histórico de saúde e disponibilidade da vacina.

Pessoas com 50 anos ou mais;

Quem já teve herpes-zóster e quer reduzir risco de novo episódio;

Pessoas com maior risco de dor prolongada após a infecção;

Pacientes imunossuprimidos, quando houver indicação médica específica;

Quem usa medicamentos que alteram a imunidade.

Para entender sintomas, transmissão e cuidados, veja também o conteúdo sobre herpes-zóster. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.

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