O secretário executivo, Isaías Aparecido, a estudante do CEM 01 do Gama, Camila Bento, a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá e a subsecretária de Educação Básica, Iêdes Braga, discursaram sobre o programa | Foto: Felipe de Noronha, Ascom/SEEDF.
Iniciativa é voltada para estudantes do ensino fundamental da rede pública de ensino.
A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) lançou, nesta quinta-feira (19), o programa Saberes Socioemocionais, em evento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A iniciativa começa pelos anos iniciais e finais do ensino fundamental e será ampliada, gradualmente, ao ensino médio e à comunidade escolar em geral.
O lançamento reuniu gestores da rede, equipes pedagógicas e profissionais que atuam diretamente nas escolas, como diretores, professores e orientadores educacionais de diversas regiões administrativas do DF.
A programação contou com a palestra “Educação Socioemocional na escola – sentidos, possibilidades e desafios”, ministrada pela psicóloga Thayanne Lima, que trouxe reflexões sobre o papel das emoções no processo de aprendizagem e nas relações dentro da escola.
Em meio a relatos que escancaram os desafios do cotidiano escolar, especialmente após a pandemia, o evento reforçou a necessidade de ampliar o olhar sobre o desenvolvimento dos estudantes para além do conteúdo pedagógico.
A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, destacou o cenário vivido nas unidades de ensino e o impacto direto nas relações escolares.
Falar de educação hoje é, antes de tudo, falar de pessoas e, mais do que nunca, de emoções.
- Hélvia Paranaguá, secretária de Educação
“Quero começar reconhecendo e honrando cada profissional que está aqui. Falar de educação hoje é, antes de tudo, falar de pessoas e, mais do que nunca, de emoções. Vivemos um tempo desafiador, não só no Distrito Federal ou no Brasil, mas no mundo. Antes de entrar aqui, conversava com uma coordenadora regional que relatou a situação de uma professora que sofre agressões diárias de um aluno. Essa é a nossa realidade: dura, cruel e desafiadora.”
O secretário executivo Isaías Aparecido também resgatou o período crítico da pandemia e seus efeitos ainda presentes no cotidiano escolar.
“Para mim, é um momento de muita emoção estar aqui depois de quatro, cinco anos à frente da Secretaria de Educação. Enfrentamos um período extremamente difícil, com o retorno às aulas presenciais e uma responsabilidade enorme, diante do risco de perdas de colegas e estudantes. Até hoje, lidamos com os resquícios daquele tempo, buscando retomar a melhoria da qualidade e dos resultados da educação. Eu até mudei minha fala hoje para não esquecer nada do que está no meu coração.”
Na prática, o programa propõe inserir de forma estruturada o desenvolvimento de competências socioemocionais no cotidiano escolar. A proposta é trabalhar habilidades como empatia, responsabilidade, convivência e tomada de decisão, com foco na formação integral dos estudantes e na melhoria do ambiente escolar.
Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), essas competências influenciam diretamente o desempenho acadêmico, a saúde mental e a trajetória profissional ao longo da vida.
A subsecretária de Educação Básica, Iêdes Braga, ressaltou a urgência do tema diante do cenário atual.
“Para uma pessoa emocionalmente saudável, ela tem melhores condições de estabelecer-se no mercado de trabalho e alcançar postos mais elevados. As habilidades necessárias para o século XXI focam em resiliência, empatia, tomada de decisão responsável como pilares da sociedade moderna. Aqui a gente traz um cenário nacional para mostrar o quanto esse programa é necessário: 70% dos estudantes brasileiros pós-pandemia relataram piora na saúde emocional”.
Na rotina das escolas, os impactos já são percebidos. A orientadora educacional Danielle Valverde, do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Dra. Zilda Arns, no Itapoã, relatou o aumento na procura por atendimento.
“Nós temos uma demanda diária de atendimentos, procura de estudantes com crises de ansiedade, questões emocionais que, muitas vezes, eles não conseguem identificar o que estão sentindo. O programa vem num momento muito oportuno. A gente precisa começar a falar de questões socioemocionais de forma sistematizada na escola, entender que mesmo que haja um desconforto inicial, é possível atravessar aquele rio de sentimentos e chegar na outra margem, transformado. O estudante sabendo lidar com a emoção não transborda para os conflitos”.
Ao longo da palestra, Thayanne Lima reforçou que a educação socioemocional está diretamente ligada à forma como os estudantes pensam, sentem e se posicionam no mundo. Ex-aluna de escola e universidade públicas, ela encerrou com uma defesa da escola pública. “Existe uma potência muito grande nesse lugar chamado escola”.
Da redação do Portal de Notícias, com a fonte da Ascom/SEEDF
