O governador Ronaldo Caiado enviou à Assembleia Legislativa de Goiás um projeto de lei que propõe um reajuste significativo de 69,92% nas pensões destinadas às 603 vítimas do acidente radiológico com césio-137, ocorrido em Goiânia, em setembro de 1987. A proposta prevê o aumento para as duas categorias da Pensão Especial Vitalícia e, se aprovada, entrará em vigor a partir de abril deste ano.
Com a aplicação da medida, os beneficiários expostos a doses superiores a 100 RAD (Doses Absorvidas de Radiação) terão seus pagamentos mensais reajustados de R$ 1.908 para R$ 3.242. Já os demais atingidos pelo acidente passarão a receber um benefício ampliado, subindo dos atuais R$ 954 para R$ 1.621. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Ronaldo Caiado enfatizou o impacto duradouro do acidente e reforçou seu compromisso com as vítimas: "Essa tragédia deixou marcas profundas na vida de muitas famílias. Nosso objetivo é garantir reconhecimento, cuidado e justiça para aqueles que ainda enfrentam as consequências desse episódio".
Gracinha Caiado, primeira-dama e coordenadora do programa Goiás Social, também destacou a importância da medida. Segundo ela, o governo tem assegurado o acompanhamento contínuo de todas as vítimas através do programa, afirmando que o novo valor das pensões traz mais dignidade e segurança às famílias afetadas. "Queremos mostrar que elas não foram esquecidas", declarou. De acordo com dados do governo, o impacto orçamentário previsto é de R$ 3,6 milhões já em 2026, atingindo cerca de R$ 4,9 milhões anuais nos anos seguintes.
Além do aumento nas pensões, os beneficiários contam com suporte especializado oferecido pelo Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves Ferreira (CARA), além da cobertura médica integral fornecida pelos planos de saúde do Ipasgo nas modalidades Básico, Especial e Pleno+. Essas iniciativas garantem cuidados médicos contínuos, fundamentais para aqueles que ainda sofrem os efeitos do acidente.
Em seu pronunciamento, o governador também tratou de uma auditoria recente realizada na lista de beneficiários. A revisão possibilitou a exclusão de pessoas que vinham recebendo o benefício de maneira indevida. "Foi necessário revisar e corrigir a lista para assegurar que apenas os verdadeiros afetados pelo acidente continuassem recebendo legítimos direitos", explicou Caiado.
A tragédia teve início quando resíduos radiológicos de um equipamento médico abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia foram acidentalmente manuseados. A cápsula contendo césio-137 acabou sendo vendida a um ferro-velho no setor Aeroporto e, posteriormente, circulou entre diversas pessoas antes que seu perigo fosse identificado pelas autoridades competentes. O incidente é considerado até hoje o maior desastre radiológico fora do contexto de usinas nucleares na história global. Sua repercussão deixou marcas profundas na cidade de Goiânia e alterou permanentemente as vidas das famílias impactadas.
Por Carlindo Medeiros é Jornalista Editor responsavel do Portal de Notícias Lei e Política
