O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), intensificou suas críticas ao senador e candidato ao governo estadual, Wilder Morais (PL), durante uma manifestação nas redes sociais na última sexta-feira (4/9). Em resposta à provocação de Wilder, que acusou Márcio de ser um político deste gênero, o prefeito lançou uma série de ataques simbólicos: sabor Cachoeira, sabor Morais, sabor Messias, sabor rabo preso, e sabor preguiça. A declaração surgiu após Wilder ter criticado Márcio em uma entrevista ao portal Mais Goiás.
Márcio ainda destacou situações embaraçosas para Wilder no âmbito da direita política. Ele mencionou o apoio pessoal de Wilder à nomeação de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e sua ausência na votação que tentou bloquear a nomeação de Jorge Messias ao STF, conforme queria o presidente Lula.
"Podia ter mencionado sabores como Cachoeira, Morais, Messias, rabo preso e preguiça. Mas seu verdadeiro sabor, senador, é o amargo da derrota por essas ações", afirmou Márcio. O prefeito acusou Wilder de focar em ataques pessoais ao invés de apresentar propostas concretas para o estado. "Deveria usar esse tempo para elaborar propostas sólidas que realmente beneficiassem os cidadãos", acrescentou.
A referência a "sabor Cachoeira" faz alusão ao passado de Wilder com o contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Gravações da Polícia Federal mostraram Cachoeira se gabando de ter tido um papel crucial na carreira política de Wilder. Em 2012, Wilder assumiu uma cadeira no Senado após a cassação de Demóstenes Torres.
A menção a "sabor Messias" relaciona-se à recente ausência de Wilder em uma votação crucial sobre a nomeação de Jorge Messias ao STF. A ausência retirou um possível voto contrário à indicação, que enfrentava resistência do PL. Apesar de não ter comparecido, Wilder publicou um vídeo comemorando o resultado desfavorável a Messias, ato que gerou descontentamento dentro do partido.
Além disso, em 2017, Wilder teve envolvimento direto na articulação da indicação de Alexandre de Moraes ao STF, chegando a organizar uma reunião entre Moraes e senadores em sua própria embarcação, criando um espaço para fortalecimento político antes da votação. Anos depois, Moraes tornou-se central nas decisões judiciais contra o bolsonarismo, culminando na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No mesmo vídeo, Márcio criticou a campanha de Wilder e acusou-o de distanciar-se do povo. "Não adianta só vestir botas no dia do debate e ficar no conforto do ar-condicionado. Vista as botas e dialogue com a população", desafiou. Ele também descreveu a candidatura de Wilder como um projeto falido e comparou sua campanha a um barco afundando devido às atitudes imaturas.
No dia 22 de agosto, Márcio anunciou seu apoio à reeleição de Daniel Vilela, decisão que gerou uma crise interna no PL e levou à abertura de um processo ético contra ele. Apesar disso, Márcio reafirma seu compromisso com nomes associados à direita como Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo. "Enquanto eu trabalho pela população e apoio candidatos verdadeiramente de direita fora do expediente, honre esse partido", declarou com desdém.
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