Embora a tecnologia faça parte da rotina e possa contribuir para a aprendizagem e o lazer, o uso excessivo de telas durante esse período pode trazer prejuízos. Entre os principais impactos apontados por especialistas estão alterações no sono, redução da prática de atividades físicas, dificuldades de concentração e diminuição das interações familiares
Com a chegada das férias escolares, crianças e adolescentes passam a ter mais tempo livre e, consequentemente, aumentam o tempo dedicado a celulares, tablets, computadores, videogames e à televisão. Diante desse cenário, especialistas orientam que as famílias busquem equilibrar o entretenimento digital com atividades que estimulem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos.
Embora a tecnologia faça parte da rotina e possa contribuir para a aprendizagem e o lazer, o uso excessivo de telas durante esse período pode trazer prejuízos. Entre os principais impactos apontados por especialistas estão alterações no sono, redução da prática de atividades físicas, dificuldades de concentração e diminuição das interações familiares.
Segundo a psicóloga infantil Patrícia Ruas, o caminho não é proibir completamente o acesso aos dispositivos eletrônicos, mas estabelecer limites claros e oferecer opções que despertem o interesse das crianças. Ela destaca que a participação da família é decisiva nesse processo. Para a especialista, pais e responsáveis também precisam rever os próprios hábitos, reduzindo o tempo de exposição às telas e incentivando momentos de convivência, socialização e construção de memórias afetivas.
“A criança precisa brincar. Quando a tela ocupa esse lugar, ela tem muitos prejuízos, ela acaba perdendo experiências essenciais para o seu desenvolvimento. É muito importante que pais ou responsáveis não permitam, que a tela ocupe o lugar das brincadeiras, do sono, das refeições, das atividades ao ar livre e outras experiências.” ressaltou a especialista.
A professora Simone Santos explica que as férias também podem ser um período de aprendizado, desde que as atividades sejam prazerosas. Segundo ela, brincadeiras tradicionais, leitura, jogos educativos, desenho, pintura, música e experiências ao ar livre contribuem para manter a criatividade e estimular o desenvolvimento cognitivo.
“Além das atividades pedagógicas, passeios em parques, praças, clubes, visitas a familiares, esportes, oficinas culturais e até pequenas tarefas domésticas podem fortalecer a autonomia e os vínculos familiares.” destacou a pedagoga.
Na rotina das famílias, o equilíbrio entre tecnologia e outras atividades costuma ser construído de diferentes maneiras. A confeiteira Aline Soares conta que, durante as férias, flexibiliza o tempo de televisão e videogame do filho Gabriel Jesus, de 11 anos, mas procura compensar esse período com passeios, esportes, brincadeiras ao ar livre e momentos em família.
“Como meu filho não possui celular, fica mais fácil controlar o uso das telas. Durante o dia, o envolvo em atividades da casa como organizar o quarto, preparar o próprio lanche e incentivo a andar de bicicleta e brincar com os primos. Além disso, planejamos passeios e viagens em família.” afirmou.
Gabriel Jesus diz que gosta de assistir à televisão e jogar videogame, mas reconhece que as férias ficam mais divertidas quando pode brincar e conviver com familiares e amigos. Ele afirma compreender a decisão dos pais de limitar o tempo de uso das telas.
“Gosto brincar no meu quarto com carrinhos, fazer peças com massas, pedalar e brincar com primos e amigos. Meus pais brincam comigo e me levam a passeios muitos legais”. Concluiu o adolescente.
Para os especialistas, a tecnologia não deve ser vista como uma inimiga da infância, mas como um recurso que precisa ser utilizado com equilíbrio. Ao estabelecer limites e incentivar experiências fora do ambiente digital, as famílias contribuem para o desenvolvimento das crianças e transformam as férias em um período de descobertas, convivência e fortalecimento dos vínculos afetivos.
O que recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o uso de telas por crianças e adolescentes deve ser limitado e compatível com cada faixa etária. No manual #MenosTelas #MaisSaúde, a entidade orienta que crianças menores de 2 anos não sejam expostas às telas, exceto em situações específicas, como videochamadas em família. Para crianças de 2 a 5 anos, o tempo de uso deve ser de até uma hora por dia; entre 6 e 10 anos, de uma a duas horas; e, para adolescentes, o limite recomendado é de duas a três horas diárias para atividades de lazer.
Segundo a entidade, o excesso de tempo em frente às telas pode estar relacionado a alterações no sono, dificuldades de atenção e aprendizagem, sedentarismo, obesidade, prejuízos à saúde mental e maior exposição a riscos no ambiente digital, como cyberbullying e conteúdos inadequados.
Matéria escrita por Cássia Soares, sob supervisão editorial de Leila Santos.
Da redação do Portal de Notícias
