Especialista da Secretaria de Saúde orienta sobre medidas simples que ajudam a impedir entrada e proliferação do artrópode.
Um sapato deixado no chão, um ralo sem vedação ou uma pilha de entulho no quintal podem servir de abrigo para escorpiões. Com o aumento dos acidentes no Distrito Federal, a Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça os cuidados para evitar a presença desses animais nas residências e reduzir o risco de picadas. A recomendação é investir na prevenção e buscar atendimento médico imediato.
O último boletim epidemiológico da pasta indica que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 1.856 acidentes com escorpiões no DF. No mesmo período de 2025, foram 1.594 ocorrências. Ao longo de todo o ano passado, o total chegou a 4.640 notificações. Adaptados ao ambiente urbano, os escorpiões procuram locais escuros e úmidos. Os tipos mais encontrados na capital federal são escorpião-amarelo, escorpião-de-patas-rajadas e escorpião-preto.
Pilhas de roupas, caixas de papelão e áreas atrás dos móveis são locais atrativos para os escorpiões
A bióloga Camila Cibeli Soares, da SES-DF, explica que esses animais podem entrar nas casas por diferentes estruturas: “É muito comum encontrá-los adentrando as residências por meio de ralos — de chão ou de pia —, bueiros, dutos que protegem os cabos e condutores de energia elétrica e até por lâmpadas frouxas. Por isso, esses locais precisam estar sempre muito bem vedados”.
Escorpiões também costumam se esconder atrás de móveis, em rodapés soltos, pilhas de roupas, caixas de papelão e materiais acumulados. Nas áreas externas, entulhos e restos de construção favorecem a presença deles.
Como prevenir
Manter os ambientes limpos e organizados é uma das formas mais eficazes de evitar abrigos. Recomenda-se, ainda, checar roupas e calçados antes de usá-los e manter camas e berços afastados das paredes, impedindo que lençois e cortinas encostem no chão.
Do lado de fora, é importante utilizar luvas grossas ao limpar jardins ou manusear materiais de construção. A vedação de frestas, ralos e rodapés também ajuda a bloquear possíveis entradas.
“Uma das recomendações é que, ao se levantar da cama, a pessoa calce um chinelo para evitar pisar em um desses animais”.
Camila Soares, bióloga da Secretaria de Saúde
Camila Cibeli ressalta que o controle de insetos dentro de casa é, igualmente, fundamental. “As baratas são a principal fonte de alimento dos escorpiões, por isso deve-se manter o ambiente sempre limpo”, indica.
Os escorpiões-amarelos, espécie mais associada aos acidentes graves, têm hábitos noturnos. Por isso, muitos casos ocorrem durante o dia, quando os animais já estão escondidos em diferentes pontos da casa. “Uma das recomendações é que, ao se levantar da cama, a pessoa calce um chinelo para evitar pisar em um desses animais”, alerta a especialista.
Orientações
Em caso de picada por escorpião, orienta-se lavar o local com água e sabão, elevar o membro afetado e procurar atendimento médico imediatamente. “A pessoa não pode espremer a picada nem tentar sugar o veneno; se possível, fotografe o animal para auxiliar na identificação”, reforça a bióloga.
De acordo com o Ministério da Saúde, a dor intensa no local da picada é o sintoma mais comum. Também podem ocorrer vermelhidão, formigamento e sudorese. Nos casos mais graves, especialmente em crianças, podem surgir náuseas, vômitos, suor excessivo, taquicardia e dificuldade respiratória.
A aplicação do soro antiescorpiônico depende da gravidade do caso, isto é, nem todas as vítimas precisam receber o antiveneno. Contudo, qualquer pessoa picada deve ser avaliada por profissionais de saúde para a definição da conduta adequada. Na rede pública, há soro no Hospital Regional da Região Leste (HRL), no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), no Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), no Hospital Regional do Gama (HRG), do Guará (HRGu), no Hospital Regional de Planaltina (HRPL), no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e no Hospital Regional de Taguatinga (HRT)
A população também pode acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona 24 horas, pelos telefones 0800 644 6774 e 0800 722 6001. Para solicitar inspeção em casos de aparecimento de escorpiões, o contato com a Vigilância Ambiental pode ser feito pelo número 162 ou pelo e-mail gevapac.dival@gmail.com. Em situações de emergência, a orientação é ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF 192) ou para o Corpo Militar de Bombeiros do DF (193).
Com informações da Secretaria de Saúde
Da redação do Portal de Notícias