Da Redação Portal Lei e Política
Editor-Chefe: Carlindo Medeiros
O Voto Recidivista e a Síndrome do Mau Casamento na Política do DF
Existe uma máxima popular que diz que o casamento é a única instituição onde as pessoas buscam voluntariamente a repetição de velhos erros. No cenário político do Distrito Federal, essa metáfora afetiva ganha contornos de realidade matemática e sociológica. Votar em determinados personagens políticos guarda uma semelhança quase poética e trágica com o indivíduo que se divorcia após anos de desgaste, promessas descumpridas e abusos de confiança, apenas para, tempos depois, aceitar o cônjuge de volta ao lar sob a ingênua esperança de que "desta vez será diferente".
Na engrenagem eleitoral da capital federal, o eleitor frequentemente se vê diante desse dilema conjugal. O histórico recente do DF é pedagógico: gestores e legisladores que foram formalmente repelidos pelo eleitorado, ou até mesmo expelidos dos cargos por forças jurídicas e escândalos de corrupção, tentam periodicamente ensaiar um retorno ao tapete vermelho do Palácio do Buriti ou da CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal).
Votar em quem já foi rechaçado ou "expulso" das instâncias de poder do Distrito Federal não é apenas um ato de anistia política; é o equivalente exato a reatar um matrimônio falido sabendo que as causas do divórcio original permanecem intactas.
"Insanidade é fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes."
A frase, popularmente atribuída a Albert Einstein, sintetiza o comportamento do eleitor que reconduz ao poder figuras carimbadas pelo insucesso administrativo.
A Anatomia do Erro Repetido
O paralelo entre a urna e o altar se sustenta em três pilares do comportamento político:
A Memória Curta vs. A Cesta Básica de Promessas: Assim como o ex-marido que ressurge com flores e juras de regeneração, o político profissional utiliza o período de ostracismo para remodelar sua imagem, apostando no esquecimento do eleitorado sobre o "passado turbulento".
O Custo do Estresse Institucional: Um governo problemático desorganiza a saúde, a segurança e a infraestrutura da cidade, da mesma forma que uma relação tóxica dilapida o patrimônio emocional e financeiro de uma família.
A Ilusão da Mudança: O histórico de quem já foi punido pela opinião pública ou pelos tribunais mostra que o DNA político raramente se altera. O retorno desses sujeitos ao poder costuma reabrir as mesmas crises que motivaram sua saída.
A Responsabilidade do "Sim" no Altar Eleitoral
O portal Lei e Política depara-se, a cada ciclo eleitoral, com a necessidade de provocar essa reflexão no cidadão de Brasília. O voto não deve ser um ato de nostalgia e nem de pura caridade. Se o Distrito Federal já rompeu os laços com determinado projeto político devido a erros crassos, escândalos ou incompetência crônica, assinar um novo "contrato de casamento" de quatro anos é chancelar o próprio sofrimento futuro.
A soberania do voto serve justamente para que o eleitor possa exercer o direito ao divórcio definitivo. Insistir em cônjuges políticos que já demonstraram não ter compromisso com o bem público é abdicar da evolução e condenar a capital do país ao eterno ciclo do arrependimento.

