Por Carlindo Medeiros
Editor Responsável pelo Portal Lei e Política
Com a chegada do período de estiagem, o Centro-Oeste brasileiro volta a enfrentar o seu mais previsível e devastador inimigo: o fogo que consome nossa vegetação e sufoca nossas cidades. Diante desse cenário crítico, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) já colocou em curso a Operação Verde Vivo, uma mobilização estratégica essencial para mitigar os impactos das queimadas. Contudo, por mais equipada e preparada que a corporação esteja, há uma realidade incômoda que nenhuma tecnologia ou contingente militar pode resolver sozinha: a principal causa dos incêndios ainda é a ação humana.
Sob a ótica jurídica e política que rege o nosso portal, é preciso dar nome aos bois. Salvo raras exceções climáticas — como a combustão espontânea ou raios, fenômenos quase inexistentes nesta época do ano —, a fumaça que turva o horizonte de Brasília nasce da irresponsabilidade, da negligência ou, pior, do dolo.
Muitos dos incêndios florestais que mobilizam viaturas e aeronaves do CBMDF começam de forma aparentemente inofensiva: um proprietário rural que decide "limpar" o terreno usando o fogo, um cidadão que queima lixo no quintal, ou até mesmo uma bituca de cigarro lançada displicentemente pela janela do carro à beira da rodovia. O que começa como uma pequena fagulha, sob o vento forte e a baixa umidade característicos da nossa região, transforma-se em um inferno em poucos minutos.
O Peso da Lei: É fundamental relembrar que provocar incêndio em mata ou floresta não é apenas uma atitude antiética; é crime ambiental. A Lei nº 9.605/1998 prevê penas de reclusão e multas pesadas para quem destrói a flora de maneira indiscriminada. A impunidade não pode ser o combustível dessas queimadas.
A Operação Verde Vivo cumpre um papel heroico de pronta-resposta e conscientização, mas o Corpo de Bombeiros não deveria ser o único anteparo entre a preservação e a destruição. A verdadeira prevenção nasce na mudança de comportamento da sociedade.
Evite queimadas. Proteja o nosso bioma. Se você testemunhar um foco de incêndio ou uma ação suspeita, não seja conivente. Denuncie e acione imediatamente as autoridades.
O fogo destrói a biodiversidade do Cerrado, empobrece o solo, agrava a crise hídrica e superlotas os hospitais com pacientes sofrendo de crises respiratórias. O custo da omissão é alto demais para todos nós. Preservar o meio ambiente é um dever legal, um ato político de cidadania e, acima de tudo, uma questão de sobrevivência.
Canais de Emergência:
Corpo de Bombeiros: 193
Fiscalização Ambiental: Ligue 156
